Definir o preço de um serviço é um dos passos mais determinantes para a longevidade de qualquer empreendimento. No entanto, embora o cálculo de custos e margens de lucro seja uma especialidade dos profissionais da contabilidade, aplicar essa lógica à própria rotina nem sempre é uma tarefa simples.
A diversidade de serviços oferecidos, a complexidade das demandas e o porte de cada cliente tornam a precificação um desafio constante para os escritórios do setor.
Historicamente, muitos profissionais recorrem a tabelas de referência divulgadas por entidades da classe. Contudo, a prática demonstra que essas listas servem apenas como consulta. A responsabilidade de fixar valores mínimos não cabe aos órgãos de fiscalização da profissão, uma vez que cada empresa contábil possui uma estrutura de custos e uma realidade operacional única.
O que diz o Código de Ética
Para orientar a fixação de honorários sem comprometer a relação com o cliente nem a sustentabilidade do escritório, as diretrizes éticas da profissão estabelecem que o valor cobrado deve levar em consideração fatores como:
- A complexidade, a relevância e os custos envolvidos na execução do serviço;
- O tempo estimado para a conclusão de cada demanda;
- O eventual impedimento de realizar outros trabalhos no mesmo período;
- O benefício gerado para o contratante;
- O perfil do cliente (eventual, habitual ou permanente) e o local da prestação do serviço.
Estudos de mercado auxiliam na identificação de médias regionais, mas a decisão final sobre o valor da hora técnica é uma prerrogativa exclusiva do prestador do serviço.
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Como mapear os custos operacionais
Antes de definir a tabela de preços do escritório, é fundamental realizar um levantamento minucioso das despesas diretas e indiretas.
1. Gestão do Tempo
Em empresas de serviços, o tempo é o ativo de maior valor. O cálculo começa com o mapeamento das horas disponíveis para venda. Por exemplo, em um mês com 22 dias úteis e jornada diária de 7,5 horas (já descontados os períodos de transição e ociosidade), cada colaborador soma cerca de 165 horas produtivas mensais.
2. Custo da Equipe por Hora
Para descobrir o custo/hora da mão de obra, somam-se todos os encargos associados ao colaborador — incluindo salários, benefícios, folha de pagamento e provisões trabalhistas. Dividindo esse custo total pelo número de horas produtivas do funcionário no mês, obtém-se o valor exato da hora trabalhada.
Caso um profissional com custo mensal de R$ 4 mil dedique 15 horas a determinado cliente, o custo direto desse atendimento para o escritório será de R$ 360.
3. Despesas Fixas e Variáveis
Além do custo direto com pessoal, a composição do preço deve absorver uma fatia proporcional dos gastos fixos (como aluguel, sistemas de gestão, segurança e limpeza) e das despesas variáveis (como suprimentos de escritório, licenças de software por uso e tributos).
Estratégias para garantir a margem de lucro
Com todos os custos cobertos, o passo seguinte é adicionar a margem de lucro, necessária para a reinvestimento no negócio e distribuição de resultados. Existem diferentes métodos para estruturar essa etapa:
- Média do Setor: Parâmetros de mercado sugerem que empresas de serviços trabalhem com uma margem de lucro líquida adequada ao seu porte. O acompanhamento constante do percentual obtido evita que o faturamento cubra apenas as despesas correntes.
- Retorno sobre o Investimento: A precificação também pode ser desenhada com base na meta de retorno do capital investido na montagem da estrutura. Acompanhar os indicadores de rentabilidade permite prever o prazo necessário para recuperar os recursos aplicados no escritório.
- Análise da Concorrência: Avaliar os valores praticados no mercado local ajuda a manter os preços competitivos, evitando que a tabela do escritório fique fora da realidade do segmento atendido.
Fonte
jornalcontabil.com.br


