A Black Friday de 2026 promete movimentar bilhões de reais no comércio brasileiro. Marcada para o próximo dia 27, a data deve atrair consumidores em busca de descontos em eletrônicos, eletrodomésticos, roupas, viagens e diversos outros produtos. Mas, em meio às ofertas que prometem preços imperdíveis, também surgem oportunidades para criminosos aplicarem golpes.
O consumidor precisa ficar atento não apenas aos descontos exagerados, mas também aos endereços dos sites, às mensagens recebidas por WhatsApp e às formas de pagamento. Uma compra aparentemente vantajosa pode terminar em prejuízo quando a loja não existe, o anúncio esconde condições diferentes ou o pagamento segue para a conta de um fraudador.
A preocupação cresce justamente em um período de grande movimentação financeira. Uma projeção da Confi, por meio da plataforma Neotrust, em parceria com o E-Commerce Brasil, estima que o comércio eletrônico brasileiro movimente R$ 13,3 bilhões entre 26 e 29 de novembro, alta de 20,7% em relação ao mesmo período de 2025. O levantamento também prevê a venda de 69,4 milhões de produtos.
O volume de negócios esperado mostra a força da data, mas também amplia a atenção necessária para proteger consumidores e empresas.
Black Friday deve movimentar bilhões
Apesar da expectativa de crescimento nas vendas, os brasileiros demonstram maior cautela antes de abrir a carteira.
Pesquisa Fiserv Insights, realizada em parceria com a Opinion Box e divulgada em novembro de 2026, aponta que 62% dos consumidores pretendem comprar na Black Friday. No ano passado, esse percentual chegou a 78%.
O levantamento também mostra que 29% dos entrevistados pretendem gastar menos nesta edição, enquanto 17% planejam aumentar o orçamento. Outros 24% ainda não decidiram se participarão das promoções.
O receio de cair em fraudes também influencia o comportamento de compra. Uma pesquisa da Serasa sobre a Black Friday 2026 identificou que 86% dos entrevistados já desistiram de uma promoção por medo de golpe. Entre os riscos mais temidos aparecem os sites falsos, mencionados por 53%, e as fraudes envolvendo Pix, citadas por 42%.
Os números indicam que conquistar a confiança do consumidor será tão importante quanto oferecer preços competitivos.
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Principais ciladas da Black Friday
Os criminosos aproveitam a pressa e a expectativa por descontos para criar páginas falsas, enviar mensagens fraudulentas e divulgar promoções que não existem.
Algumas práticas, porém, também podem partir de estabelecimentos reais, quando o anúncio apresenta descontos enganosos ou omite informações importantes. Veja as situações que merecem atenção:
1. Site falso que imita lojas conhecidas
Uma das fraudes mais comuns envolve páginas que reproduzem a identidade visual de grandes varejistas. O consumidor acredita estar acessando a loja oficial, escolhe o produto e realiza o pagamento, mas nunca recebe a mercadoria.
Os criminosos costumam alterar pequenas partes do endereço eletrônico, acrescentando palavras, números ou letras. Por isso, o consumidor deve conferir o domínio antes de informar dados pessoais ou bancários.
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O caminho mais seguro é acessar diretamente o aplicativo ou digitar o endereço oficial da loja no navegador, sem utilizar links recebidos por mensagens ou anúncios suspeitos.
Nem toda oferta anunciada como imperdível representa economia. Algumas lojas aumentam o preço de um produto antes da Black Friday e, depois, apresentam o valor anterior como referência para divulgar um desconto aparentemente elevado.
Essa prática ficou conhecida como “metade do dobro”. Para identificar a cilada, o consumidor deve acompanhar o histórico de preços antes da data e comparar o valor em diferentes estabelecimentos. O preço anunciado precisa representar uma redução real, e não apenas uma estratégia para chamar atenção.
3. Golpe do Pix e QR Code adulterado
O Pix facilita as compras, mas também aparece entre os meios explorados pelos golpistas. O consumidor pode encontrar uma loja falsa que oferece desconto exclusivo para pagamento instantâneo e direciona o dinheiro para uma conta de terceiros.
Outro risco envolve o QR Code adulterado, modalidade conhecida como quishing. Em alerta divulgado em outubro de 2026, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explicou que criminosos podem substituir códigos legítimos por outros que direcionam o pagamento para contas controladas por fraudadores.
Antes de confirmar a operação, confira o nome e os dados do recebedor exibidos pelo aplicativo do banco. Se as informações não corresponderem à loja ou ao intermediador de pagamento informado, interrompa a transação.
4. Mensagens falsas pelo WhatsApp e SMS
Cupons exclusivos, ofertas relâmpago e avisos sobre pedidos podem esconder links fraudulentos. Ao clicar, o consumidor pode acessar uma página falsa ou fornecer informações que permitem aos criminosos invadir contas e realizar compras.
Desconfie de mensagens que criam urgência, prometem descontos muito acima do mercado ou solicitam senhas e códigos de autenticação.
A orientação é não clicar diretamente no link. Entre no aplicativo oficial da loja e procure a promoção por conta própria.
5. Frete grátis que esconde cobranças
Outra cilada aparece no momento de finalizar a compra. O anúncio apresenta um preço atraente, mas o carrinho inclui frete elevado, taxas ou condições diferentes das divulgadas inicialmente.
O consumidor deve conferir o valor total antes de pagar, incluindo entrega, juros e eventuais cobranças adicionais. O fornecedor precisa apresentar as informações de preço e as condições da oferta de maneira clara.
Caiu em um golpe? Saiba o que fazer
Quem percebe que realizou um pagamento para um golpista deve agir rapidamente.
No caso do Pix, entre em contato imediatamente com o banco e solicite a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED). O procedimento permite que a instituição financeira analise a fraude e tente bloquear os recursos disponíveis na conta que recebeu o dinheiro. A devolução, entretanto, não é garantida.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência, guardar conversas, comprovantes, endereços eletrônicos e capturas de tela. Se houver exposição de dados bancários ou senhas, o consumidor deve comunicar a instituição financeira e alterar as credenciais comprometidas.
Fonte
jornalcontabil.com.br


