Após quase uma hora de paralisação, as negociações dos títulos públicos via Tesouro Direto voltaram a funcionar perto das 17h desta terça-feira (13). Assim que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) será o novo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), os negócios foram interrompidos – pelo segundo dia consecutivo.

Como já vem acontecendo, o cenário político provocou volatilidade no mercado. A indicação de Mercadante deverá trazer ainda mais turbulência, já que não está em conformidade com a Lei das Estatais, dado o envolvimento direto do político na campanha de Lula.

Agentes também repercutem mais nomes da equipe econômica do próximo governo. Depois de muita especulação, o próximo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou hoje que o economista Gabriel Galípolo será o secretário-executivo da pasta a partir de janeiro, no novo governo de Lula. O cargo é considerado número dois na hierarquia de um ministério.

Às 16h59, na volta das negociações, os títulos públicos operam com alta nas taxas. O Tesouro Prefixado 2025 tinha remuneração de 13,64%, bem acima dos 13,35% na véspera e dos 13,34% registrados no começo do dia. Enquanto isso, o maior juro real entregue por papéis atrelados à inflação era de 6,42% ao ano (Tesouro IPCA+2045), acima dos 6,32% registrados na terça-feira.

“Estamos num período de grande volatilidade. A incerteza no Tesouro Direto está no curto prazo”, diz Paulo Ricardo dos Santos, especialista em Renda Fixa da Blue3. Segundo ele, os títulos “muito bem-vistos” são os do Tesouro IPCA, ou seja, atrelados à inflação, principalmente com vencimentos médios, perto de 2035, por exemplo, rentabilizando IPCA+6,37% ao ano.

“O que [o mercado] veio precificando desde ontem e que já foi até aceito, foi a nomeação do ex-prefeito Fernando Haddad para a Fazenda. O Banco Central divulgou até o Relatório Focus e não houve alterações” detalha o especialista. “Temos que ficar atentos as nomeações para os demais ministérios”, afirma.

Confira os preços e as taxas dos títulos públicos disponíveis para a compra no Tesouro Direto na tarde desta terça-feira (13): 

Tesouro Direto
Fonte: Tesouro Direto

Mercadante

O presidente eleito confirmou, nesta terça-feira (13), que o ex-ministro Aloizio Mercadante (PT) será indicado o novo presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em sua gestão.

O anúncio foi feito durante evento de conclusão dos trabalhos da equipe de transição de governo. “Aloizio Mercadante, eu vi algumas críticas sobre boatos que você vai ser presidente do BNDES. Eu quero dizer a vocês que não é mais boato. O Aloizio Mercadante será presidente do BNDES”, disse Lula.

“Nós estamos precisando de alguém que pense em desenvolvimento, de alguém que pense em reindustrializar este país, de alguém que pense em inovação tecnológica, de alguém que pense na geração de financiamento ao pequeno, ao grande, ao médio empresário, para que esse país volte a gerar empregos”, continuou em referência ao colega de partido.

Atual presidente da Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, e responsável pela coordenação do programa de governo de Lula e da coordenação dos grupos temáticos da equipe de transição de governo, Mercadante já aparecia nas bolsas de apostas para o cargo, mas seu nome não agradava o mercado.

Equipe de Haddad

O anúncio veio após reunião de Haddad com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Pela manhã, o futuro ministro da Fazenda já havia se reunido com o atual ministro da Economia, Paulo Guedes.

Galípolo é ex-presidente do banco Fator e muito próximo de Haddad e Lula. Hoje com 39 anos, é professor da UFRJ, pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e conselheiro da Fiesp.

Serviços e ata do Copom

O volume dos serviços prestados no Brasil caiu 0,6% entre os meses de setembro e outubro, interrompendo uma sequência de cinco resultados mensais positivos, quando acumulou ganho de 4,5%. Na comparação com outubro de 2021, o volume de serviços apresentou a vigésima taxa positiva consecutiva, ao avançar 9,5%.

O acumulado de janeiro a outubro chegou a 8,7% e em 12 meses, a 9,0%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) e foram divulgados nesta terça-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O setor se encontra 10,5% acima do nível pré-pandemia e 0,6% abaixo do patamar mais elevado da série histórica iniciada em 2011, alcançado em setembro de 2022.

Para Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa, contribuiu para o resultado de outubro a base de comparação elevada após o setor de serviços ter alcançado no mês passado o valor mais alto da série histórica. “O nível mais elevado se deve principalmente à prestação de serviços voltados às empresas, em que observamos como grandes expoentes as empresas que prestam serviços de tecnologia da informação”, avaliou.

Também na cena econômica, o Copom do Banco Central disse que ainda vê muita incerteza relacionada ao cenário fiscal brasileiro e que vai seguir acompanhando os desenvolvimentos futuros da política fiscal e seus potenciais impactos sobre a dinâmica da inflação. A afirmação está na ata da reunião do colegiado realizada entre os dias 6 e 7 de dezembro e divulgada nesta terça-feira (13) pelo BC.

Na ocasião, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75%, e afirmou que a decisão “reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva”.

Segundo a ata, o comitê debateu de forma extensa os impactos de diferentes cenários fiscais sobre a inflação. Em sua análise, o Comitê reiterou os diferentes canais pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação não só por meio dos efeitos diretos na demanda agregada, como também via preços de ativos, grau de incerteza na economia, expectativas de inflação e taxa de juros neutra.

“O Comitê avaliou que mudanças em políticas parafiscais ou a reversão de reformas estruturais que levem a uma alocação menos eficiente de recursos podem reduzir a potência da política monetária”, diz a ata.

Fed e CPI

A autoridade monetária americana inicia hoje sua reunião de dois dias e deverá anunciar outro aumento de juros amanhã (14). De acordo com o monitor de juros do CME Group, quase 80% do mercado aposta em uma alta de 50 pontos-base (0,50 ponto percentual) nos juros. Assim, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) desaceleraria o ritmo de aperto monetário – foram quatro altas seguidas de 75 pontos-base (0,75 ponto percentual).

A inflação ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) anunciada hoje, de 7,1% anualizados em novembro, confirma a trajetória descendente dos preços nos Estados Unidos e permite que Fed reduza sem questionamentos o ritmo de alta dos juros na reunião de amanhã.

O indicador divulgado nesta terça-feira (13) era o último dos grandes dados econômicos esperados antes da decisão do Fed. Segundo os analistas, cresceu a chance que o ciclo de aperto monetário se encerre em algum momento a partir do primeiro trimestre de 2023.

Em entrevista ao InfoMoney, Angelo Polydoro, economista da ASA Investments, disse que o número foi uma boa surpresa, especialmente os preços dos bens. Nessa categoria, a variação trimestral anualizada já aponta queda de 3,5%. “A gente já tinha visto um número perto de zero na última divulgação e numa sequência de desaceleração. Esse número negativo consolida a narrativa de que a inflação de bens está moderando”, disse.

Ele atribuiu isso à normalização das cadeias de oferta e ao fato de que as pessoas estão sendo obrigadas a reduzir o consumo de bens mais caros e focando nos produtos mais essenciais.

Polydoro disse que até inflação de serviços mostrou uma moderação no mês (embora ainda esteja 7,2% mais alta que no ano passado). “Esse é o grupo que vai dizer o quanto Fed vai estar confortável para poder parar (o ciclo de alta), e onde ele vê o efeito da política monetária no mercado de trabalho”, explicou.


Fonte

www.infomoney.com.br

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