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Mesmo que o processo de privatização da Petrobras (PETR3;PETR4) leve tempo semelhante ao da Eletrobras (ELET3;ELET6), que se desenrola desde 2018, o importante é que se dê o primeiro passo nessa discussão, disse nesta quarta-feira (1º) o conselheiro da empresa e sócio da Leblon Equities, Marcelo Mesquita, em evento a investidores.

“Pela primeira vez, temos um ministro de Minas e Energia (Adolfo Sachsida) que tem coragem de falar de privatização da Petrobras. Seja um fato, um desejo, ou uma verdade, seria muito bom a inclusão da empresa no programa de desestatização”, afirmou ele, que representa acionistas minoritários no conselho, em relação ao pedido de inclusão da estatal dentro do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI) formalizado nesta semana.

Segundo ele, o modelo atual de venda de ativos, no segmento de refino, é adequado, pois transfere à iniciativa privada grande parte do mercado, o que, no longo prazo, “cria uma concorrência saudável” entre os players de refino.

Entretanto, na área de upstream (de perfuração de poços exploratórios), Mesquita avalia “que o fatiamento não é bom” para a Petrobras. “A escala global que a Petrobras tem hoje é que permite a ela ter a liderança tecnológica na questão de águas ultra profundas. E no Brasil, essencialmente, se tem petróleo ultra profundo”, disse.

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Conforme ele, caso fosse fatiada para a venda, a Petrobras poderia ter maiores dificuldades de financiamento de pesquisas geológicas, que vão formando um conjunto de conhecimento, replicado a outras áreas da empresa, além da dispersão de profissionais especializados da empresa.

“Seria bom o governo ter uma golden share (ação com poder de veto em assuntos estratégicos) para garantir que Shell, Exxon ou BP compre o seu controle ou que se funda. A Petrobras precisa continuar com sede no Brasil e com centro de desenvolvimento aqui”, disse.

Formas de privatizar a Petrobras

Para ele, o governo poderia, inclusive, seguir como acionista, mesmo tendo posse de uma golden share. Mesquita ressalta que, caso as ações preferenciais fossem migradas para ordinárias, manteria cerca de 36% do capital, e a petroleira seria privada.

Dessa forma, o governo poderia se beneficiar dos dividendos equivalentes à sua participação e criar, por exemplo, um endowment (doação), com esses recursos, fazendo uma distribuição de renda. Ou, ainda, ir vendendo as ações aos poucos.

“Poderia se fazer um modelo (de venda) meio parecido com o de Eletrobras, ou como foram os de Embraer, Vale e BR Distribuidora. Cada uma teve sua especificidade, mas todas são brasileiras, pulverizadas e vão muito bem”, acrescentou.

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Conforme ele, apesar do ceticismo geral em relação ao debate sobre a privatização, é preciso que o tema entre na pauta de discussões. “É difícil no brasil (a privatização), como se viu com a novela da Eletrobras, mas tem que começar um dia, e a discussão amadurecer”, disse.

Mesquita acrescentou que o tema da privatização “é muito amplo”, e que há inúmeras maneiras de se privatizar. “Por isso, é importante que essas várias ideias de formatos, de pontos fortes e fracos, de vários formatos, comecem a ser discutidos. Ruim é que seja privatizada sem nenhuma discussão”, afirmou.

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Fonte

www.infomoney.com.br

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