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O episódio número 74 do podcast Outliers é especial: foi gravado durante a Expert XP 2022, um dos maiores eventos sobre investimentos do mundo, realizado de 3 a 5 de agosto, e recebeu Rodrigo Azevedo, sócio-fundador e CIO da área de macro da Ibiuna Investimentos, e Carlos Woelz, sócio-fundador e diretor da Kapitalo Investimentos. Eles falaram sobre os desafios do cenário atual e suas perspectivas de alocação.

Azevedo, que já foi diretor de Política Monetária do Banco Central, conta que em sua visão o grande questionamento é a respeito da duração da inflação e o momento em que ela finalmente dará sinais de alívio. O gestor acredita que, para as grandes economias, uma grande parte do trabalho em relação ao controle da inflação ainda precisa ser feito.

Segundo Azevedo, a grande diferença é que no Brasil “já estamos acostumados não apenas com a inflação, mas com os impactos da persistência de um choque inflacionário”. No longo prazo, diz o gestor, isso pode se desdobrar em uma inflação generalizada que demandará atitudes mais incisivas dos bancos centrais de todo o mundo.

“Se o aperto monetário não gerar uma recessão forte o suficiente para trazer a inflação para baixo, vai precisar de mais aperto monetário, que vai trazer um potencial de recessão. De um jeito ou de outro, vai ter que ter uma recessão forte”, diz Azevedo.

Para Woelz, da Kapitalo, apesar de concordar em relação às tendências inflacionárias, o gestor não entende que é o momento de tomar posições apostando em mais altas de juros, já que ele enxerga um cenário negativo para o crescimento econômico global. Além disso, reforça que choques específicos, como o de petróleo, podem deflagrar posturas diferentes para as autoridades monetárias de todo o mundo.

Apesar de todos esses fatores, Woelz reforça que “é mais difícil desacelerar o trabalho” e que, além disso, a inflação trouxe um choque negativo de renda. O gestor diz que enxerga que neste momento, com todas as pressões e incertezas globais, o consumidor americano voltará a ter dinheiro no bolso – o que pode pressionar ainda mais os choques inflacionários no futuro.

De olho na economia brasileira, Azevedo pontua que no cenário macroeconômico local o Brasil já está adiantado em relação às políticas econômicas. Por outro lado, os desafios fiscais ainda pressionam as perspectivas de juros no longo prazo. O gestor ainda reforça que ter começado “cedo” o aumento de taxa de juros fez toda diferença.

“Toma tempo entre subir a taxa de juros e baixar a inflação. Tipicamente, no Brasil, isso pode levar de 12 a 16 meses”, diz Azevedo. Para ele, a taxa atual de 13,75% ao ano terá efeito em meados de 2023, e os esforços necessários para amortecer a inflação no Brasil já foi feito.

Por outro lado, existe um adicional que são as eleições e a direção da política econômica brasileira, que poderá afetar a dinâmica por aumentar “a incerteza sobre qual regime econômico o Brasil vai ter de 2023 para frente”, segundo o gestor.

Ambos os gestores enxergam que a “bolsa brasileira está barata”. Por outro lado, Azevedo pontua que é necessário ter cautela, já que as variáveis inflação e eleições ainda estão muito indefinidas e deverão ser acompanhadas nos próximos três meses. “Não estou com a menor pressa de sair comprando nesse momento”, diz.

Para Woelz, o prêmio de risco está atrativo para a renda variável. Por outro lado, a rentabilidade obtida na renda fixa também está alta. Segundo o gestor, essa movimentação traz maiores desafios para a alta da bolsa brasileira no momento e para a alocação de longo prazo. “Historicamente, não tem excesso de retorno significativo ficar investido apenas em Bolsa brasileira”. Para ele, a barreira de juros do Brasil é muito alta.

“Pela primeira vez em todas as crises, a Bolsa tem perspectiva de pagar mais mesmo em relação ao preço estressado da renda fixa”, diz Woelz.

A entrevista completa e os episódios anteriores podem ser conferidos por SpotifyDeezerSpreakerApple e demais agregadores de podcasts. Além disso, o podcast também está disponível no formato de vídeo no canal da XP no Youtube.


Fonte

www.infomoney.com.br

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