A presença crescente dos criptoativos na vida financeira de pessoas e empresas trouxe um novo desafio para a contabilidade brasileira. Bitcoin, stablecoins, corretoras internacionais, carteiras digitais e operações descentralizadas passaram a integrar a
realidade patrimonial de investidores, enquanto muitos escritórios contábeis ainda enfrentam dificuldades para trabalhar com essas informações.
Foi diante desse cenário que duas contadoras decidiram unir suas experiências para desenvolver uma tecnologia própria, pensada a partir das necessidades de quem trabalha diariamente com números, conciliações e informações patrimoniais.
Ana Paula Rabello, conhecida como a Contadora das Baleias do Bitcoin, e Helen Gomes, especialista em processos e governança corporativa, são as fundadoras do Núcleo CriptoCalc, uma solução que reúne conhecimento contábil, tecnologia e inteligência artificial para tornar mais acessível o trabalho com criptoativos.
A proposta vai além de atender profissionais especializados. As fundadoras querem que a tecnologia faça parte da rotina dos escritórios contábeis, assim como os sistemas utilizados na contabilidade convencional.
Da perícia contábil às baleias doBitcoin
Com mais de 30 anos de experiência profissional, Ana Paula Rabello construiu sua trajetória na contabilidade e na perícia antes de encontrar no universo das criptomoedas um novo caminho.
Seu primeiro trabalho na internet foi escrever sobre tributação de Bitcoin e outros criptoativos no blog Declarando Bitcoin, quando o assunto ainda era pouco explorado pela contabilidade brasileira.
O que começou como produção de conteúdo especializado acabou provocando uma transformação em sua carreira. Ana deixou a perícia para dedicar-se exclusivamente à contabilidade e à tributação de criptoativos, área que passou a ocupar integralmente sua atuação profissional.
Hoje, à frente do Declarando Bitcoin, que define como sua boutique contábil, atende algumas das maiores contas de investidores de criptoativos do Brasil, em um modelo de serviço altamente especializado e personalizado.
Nas redes sociais, tornou-se conhecida como a Contadora das Baleias do Bitcoin, construindo uma audiência de mais de meio milhão de seguidores entre Instagram, TikTok, YouTube e seu blog.
A experiência com grandes investidores também trouxe um desafio permanente: lidar com a crescente complexidade das operações e desenvolver métodos e tecnologias capazes de transformar milhares de movimentações em informações contábeis confiáveis.
Helen Gomes chegou ao mercado de criptoativos depois de construir uma trajetória de duas décadas na contabilidade empresarial.
Fundadora da Valorem Empresarial e Contabilidade, em Sorocaba, São Paulo, Helen desenvolveu sua carreira trabalhando com gestão, auditoria, planejamento tributário, governança corporativa e organização de processos.
Sua experiência consolidou uma visão sobre a importância dos controles, da organização das informações e da integração entre diferentes áreas da contabilidade.
Em 2023, decidiu aprofundar seus conhecimentos em criptoativos e ingressou na Jornada do Contador, formação oferecida porAna Paula por meio do Declarando Bitcoin.
O encontro que começou na relação entre professora e aluna evoluiu para uma parceria profissional em 2025.
Ana trazia a experiência de quem havia desenvolvido métodos e tecnologias próprias para atender grandes investidores de criptomoedas. Helen acrescentava a visão de processos e governança necessária para organizar esse conhecimento e transformá-lo em uma solução capaz de alcançar outros profissionais.
Foi dessa combinação que começaram a surgir as ideias que dariam origem ao Núcleo CriptoCalc.
O desafio de transformar conhecimento especializado em tecnologia acessível
Ao longo dos anos, o Declarando Bitcoin desenvolveu tecnologias próprias para atender às demandas de sua operação contábil, especialmente no acompanhamento de investidores com movimentações complexas em diferentes plataformas e carteiras.
O desafio, entretanto, nunca foi a ausência de tecnologia.
As ferramentas existentes haviam sido construídas para atender à realidade interna da empresa, com procedimentos que dependiam de conhecimento especializado e de uma estrutura própria de trabalho.
Reproduzir essa experiência fora do Declarando Bitcoin, seja para outros contadores, seja para os próprios investidores, parecia inviável diante da complexidade envolvida.
Era necessário encontrar uma maneira de transformar procedimentos altamente técnicos em processos que pudessem ser compreendidos e utilizados também por profissionais que estavam começando a atuar com criptoativos.
Foi nesse ponto que a inteligência artificial abriu uma nova possibilidade.
A tecnologia tornou viável escalar um conhecimento que, até então, estava concentrado em uma operação contábil altamente especializada.
Ana e Helen passaram a utilizar ferramentas de inteligência artificial como apoio ao desenvolvimento, traduzindo sua experiência profissional em funcionalidades e processos tecnológicos.
O objetivo não era simplesmente automatizar cálculos, mas construir uma solução capaz de lidar com a complexidade das operações e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência acessível ao usuário.
A inteligência artificial não substituiu o conhecimento das fundadoras. Tornou possível transformar esse conhecimento em uma ferramenta que poderá alcançar muito mais pessoas.
Onde tecnologia, governança e números se encontram
O Núcleo CriptoCalc foi concebido a partir de uma premissa que resume a visão de suas criadoras:
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“Cripto não é uma lista de transações. É uma história patrimonial que precisa fechar.”
Para Ana e Helen, a contabilidade de criptoativos exige muito mais do que importar extratos e apresentar cálculos de impostos.
É necessário compreender a origem e o destino dos ativos, acompanhar transferências entre corretoras e carteiras, investigar divergências e verificar se as informações apresentadas correspondem à realidade patrimonial.
A ferramenta reúne recursos de conciliação, conferência cruzada, rastreabilidade, identificação de pendências e análise de movimentações, permitindo que o contador trabalhe com informações organizadas e tenha condições de investigar inconsistências.
É nesse ponto que as experiências das duas fundadoras se complementam.
O conhecimento de Ana sobre operações com criptoativos se une à experiência de Helen em processos, controles e governança, dando origem a uma tecnologia que busca respeitar a lógica do trabalho contábil.
A proposta não é substituir o contador, mas oferecer recursos para que ele possa trabalhar com mais eficiência, segurança e capacidade de análise.
O próximo capítulo: criptoativos na rotina dos escritórios contábeis
Se hoje a contabilidade de criptoativos ainda é vista por muitos escritórios como uma atividade altamente especializada, Ana e Helen acreditam que essa realidade precisa mudar.
O crescimento do mercado e a presença cada vez maior dos ativos digitais na vida financeira de pessoas e empresas estão criando novas demandas para a profissão.
E a resposta não pode ser simplesmente deixar esse mercado nas mãos de poucos especialistas.
Assim como um escritório utiliza sistemas para escrituração contábil, apuração de tributos e processamento de folhas de pagamento, também precisará contar com ferramentas adequadas para atender clientes que possuem ou movimentam criptoativos.
A ambição das fundadoras é fazer do CriptoCalc uma ferramenta cotidiana de trabalho, e não uma tecnologia restrita a grandes investidores ou operações excepcionais.
Isso significa permitir que o contador tenha acesso a recursos de organização, conciliação e análise sem precisar desenvolver sua própria tecnologia ou depender exclusivamente de planilhas e controles manuais.
O sistema já é utilizado internamente pelas fundadoras e segue em fase de aprimoramento, com previsão de ser disponibilizado pela primeira vez a contadores de fora do Declarando Bitcoin no início de 2027.
O projeto também está associado a uma proposta de formação profissional, porque as fundadoras entendem que tecnologia e conhecimento precisam avançar juntos.
Para Ana e Helen, o crescimento do mercado de criptoativos traz uma consequência inevitável: o contador que não se preparar para atender essa nova realidade patrimonial corre o risco de perder espaço profissional.
Tecnologia feita por quem vive a contabilidade
O Núcleo CriptoCalc representa uma nova etapa na trajetória das duas contadoras.
Para Ana Paula, é a oportunidade de transformar anos de experiência com grandes investidores em uma tecnologia que poderá ser utilizada por profissionais de diferentes portes e níveis de especialização.
Para Helen, representa a aplicação de sua experiência em processos, organização e governança à construção de uma solução tecnológica para um mercado em expansão.
Juntas, elas pretendem demonstrar que a inovação na contabilidade também pode nascer dentro da própria profissão.
A inteligência artificial tornou possível transformar a complexidade de um conhecimento especializado em uma tecnologia escalável. Agora, o desafio é levar essa capacidade para o cotidiano dos escritórios.
A visão das fundadoras é clara: assim como nenhum escritório contábil trabalha hoje sem um sistema para a contabilidade convencional, a contabilidade do futuro precisará incorporar ferramentas para trabalhar com criptoativos.
É nesse futuro que Ana Paula e Helen querem posicionar o Núcleo CriptoCalc: uma tecnologia criada por contadoras, pensada para contadores e desenvolvida para fazer parte da rotina da profissão.
Onde acompanhar Ana Paula Rabello
Instagram: @declarandobitcoin
LinkedIn: Ana Paula Rabello
Substack: declarandobitcoin.substack.com
Site: declarandobitcoin.com.br
Contato para imprensa: [email protected]
Fonte
jornalcontabil.com.br



