A implementação da Reforma Tributária no Brasil, com a chegada da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), promete ser o maior divisor de águas na história fiscal do país.
Entre promessas de simplificação e automação, um fantasma começou a rondar os escritórios de contabilidade: a ideia de que a tecnologia tornará o contador uma figura do passado.
Essa discussão ganhou tração após declarações recentes do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao projetar o cenário para 2027, o ministro destacou que a transição para um sistema totalmente digital trará uma drástica desoneração de encargos e serviços contábeis para as empresas.
Nas entrelinhas, a fala foi interpretada por muitos como um veredito: se o sistema faz tudo sozinho, o contador é dispensável. Mas será que a realidade é tão simples quanto um algoritmo?
Automação e a fala de Haddad
O argumento do governo sustenta-se na simplificação da apuração. Hoje, o Brasil detém o título de país onde se gasta mais tempo para pagar impostos no mundo.
Com a unificação de tributos e o cálculo automático no momento da transação (o chamado split payment), a tarefa mecânica de preencher guias e conferir notas fiscais tende a desaparecer.
Haddad pontua que a digitalização elimina a necessidade de grandes estruturas de “compliance” tributário dentro das empresas. Para o empresário, isso soa como redução de custos; para o profissional da área, soa como obsolescência.
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Afinal, o contador morreu ou se transformou?
Embora a tarefa de “digitar notas” esteja com os dias contados, especialistas do setor argumentam que o pensamento de que o contador será dispensável é um equívoco de visão.
- Consultoria Estratégica: Em um sistema novo e ainda em fase de teste, o planejamento tributário será mais vital do que nunca. Entender onde a empresa se encaixa nas alíquotas e regimes de transição exige inteligência humana, não apenas processamento de dados.
- Gestão Consultiva: A contabilidade moderna já vem migrando da “burocracia fiscal” para a “gestão de negócios”. O contador deixa de ser o “guarda-livros” para se tornar o principal conselheiro financeiro do empreendedor.
- Complexidade da Transição: Até 2033, vamos conviver com dois sistemas simultâneos. O trabalho, na verdade, deve aumentar significativamente no curto e médio prazo.
Conclusão
Dizer que o contador será dispensável porque o sistema será digital é como dizer que não precisamos mais de advogados porque as leis estão disponíveis na internet. A tecnologia não substitui o profissional. Ela substitui a tarefa repetitiva.
O mercado contábil passa por uma “seleção natural”. O profissional que se limita a emitir boletos realmente corre riscos diante da visão do Ministro Fernando Haddad.
Por outro lado, o contador que utiliza a automação para liberar tempo e focar em análise de rentabilidade e saúde financeira terá, em 2027, um papel ainda mais central na economia.
Fonte
jornalcontabil.ig.com.br


