O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deu um passo decisivo na digitalização do Estado brasileiro ao oficializar, nesta semana, a obrigatoriedade do cadastro biométrico para a concessão de novos benefícios previdenciários e assistenciais. 

A medida, estabelecida por decreto presidencial, altera o rito de solicitação de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), colocando a tecnologia de identificação como a principal barreira contra irregularidades.

O movimento não é isolado, mas sim o pilar de uma estratégia interministerial. Ao exigir a biometria, o governo promove uma integração sem precedentes entre os bancos de dados da Carteira de Identidade Nacional (CIN), da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Na prática, o INSS deixa de ser uma ilha de informações para se tornar parte de um sistema digital unificado.

Quem precisa fazer

O principal motor dessa mudança é a segurança fiscal. Historicamente, o sistema previdenciário brasileiro enfrenta desafios com a personificação indevida e saques de benefícios por terceiros. Com a validação biométrica, o cruzamento de dados torna-se instantâneo e preciso.

Diferente do que o temor comum sugere, a medida foca no fluxo de entrada do sistema. A obrigatoriedade recai sobre:

  • Novas solicitações de aposentadoria (por idade ou tempo de contribuição);
  • Requerimentos do BPC (LOAS);
  • Novos pedidos de auxílio-reclusão e pensões por morte.

Para aqueles que já possuem dados biométricos registrados em outros documentos oficiais (como a nova CIN ou o título de eleitor), a transição será silenciosa: o sistema do INSS buscará essas informações automaticamente, dispensando um novo deslocamento do cidadão.

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Estabilidade para os atuais beneficiários

Um ponto importante do novo regulamento é a tranquilidade para quem já está na folha de pagamento. Não haverá bloqueio imediato de benefícios ativos. 

Aposentados e pensionistas atuais continuam recebendo seus proventos normalmente e só precisarão realizar o cadastro caso sejam convocados individualmente para uma atualização cadastral futura, o que ocorrerá de forma gradual.

Para garantir que a tecnologia não se torne uma barreira de exclusão, o decreto prevê salvaguardas importantes. O INSS manterá a dispensa da biometria para grupos em situação de vulnerabilidade ou dificuldade técnica, incluindo:

  • Idosos acima de 80 anos;
  • Pessoas com mobilidade reduzida comprovada;
  • Moradores de regiões remotas e de difícil acesso;
  • Brasileiros residentes no exterior, refugiados e apátridas.

Essa diferenciação reforça o caráter assistencial do órgão, equilibrando o rigor tecnológico com o acolhimento social necessário à estrutura previdenciária do país.


Fonte

jornalcontabil.ig.com.br

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