A Reforma Tributária representa uma das maiores mudanças no sistema de impostos do Brasil nos últimos anos e irá transformar a forma como as empresas lidam com suas obrigações fiscais. Com isso, o papel do contador se torna fundamental, pois são eles que irão orientar empresários sobre como interpretar as novas regras e apoiar as empresas durante este tempo de transição para o novo modelo tributário.
Diante dessa grande mudança no sistema tributário, se manter atualizado e preparar os clientes com antecedência se torna quase que obrigatório. Porém, uma dúvida surge: os escritórios contábeis estão se preparando para esse novo processo de adaptação?
Segundo uma pesquisa realizada pela Omie, mais de 60% dos escritórios contábeis ainda não iniciaram o mapeamento da carteira de clientes. O levantamento faz parte da segunda Sondagem do Setor Contábil, realizada para identificar como os escritórios estão se posicionando diante dos novos desafios gerados pelas mudanças no sistema tributário. Ao todo, 633 empresas contábeis participaram da pesquisa, com a maioria tendo uma carteira entre 50 e 300 clientes.
E por que isso é necessário?
Mapear a carteira de clientes com antecedência ajuda o contador a identificar quais empresas serão mais impactadas pelas mudanças no sistema de impostos sobre o consumo. Essa tarefa permite analisar o regime tributário de cada cliente, tipo de atividade exercida, estrutura de custos. Com todas essas informações, o contador consegue antecipar riscos, simular cenários com as novas regras e orientar melhor o empreendedor, desde ajustes de preços até mudanças no regime tributário.
Impacto no Simples Nacional
Para empresários que estão no Simples Nacional, o dado é preocupante, pois eles precisam de um diagnóstico antecipado até setembro para decidir se irão permanecer nesse regime tributário ou mudarão para o híbrido, em que o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) serão recolhidos separadamente para gerar valores maiores de créditos aos adquirentes de produtos e serviços.
Nesse formato híbrido, os novos tributos, CBS e IBS, passam a ser recolhidos separadamente, podendo gerar maior número de créditos tributários para os clientes que adquirem produtos ou serviços dessas empresas.
Sem realizar essa análise prévia, muitas empresas podem perder competitividade no mercado ou deixar de aproveitar oportunidades de planejamento tributário.
Alteração no sistema de consumo
A reforma tributária prevê mudanças profundas no modelo de tributação no Brasil. A principal delas é a tributação sobre o consumo no Brasil, que será alterada significativamente devido à substituição dos tributos atuais (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) pelos novos IVAs (Imposto sobre Valor Agregado), a CBS e o IBS.
A transição vem sendo feita de forma gradativa, com início neste ano de 2026 e com conclusão em 2032. Durante esse período, os contribuintes terão que se adaptar às novas regras convivendo com o regime de tributação atual, trazendo ainda mais desafios ao ambiente tributário do País, que já é conhecido por ser um dos mais complexos do mundo
Quais são esses impactos esperados em diferentes áreas das empresas?
A resposta vai variar de acordo com a organização, dependendo do seu setor de atuação, do tipo de operações realizadas no país, entre mais fatores. De qualquer forma, é possível destacar alguns setores afetados:
No comercial, as alterações nas alíquotas dos tributos sobre o consumo serão refletidas diretamente nos preços praticados na cadeia de suprimentos. No entanto, o repasse ao consumidor pode não ser possível, o que pode reduzir a demanda por determinados produtos ou serviços.
No financeiro, os novos tributos possuem modelos de apuração, alíquotas e regras distintas dos atuais, trazendo impactos em margens e custos. O modelo de split payment, por exemplo, pode necessitar de uma maior disponibilidade de caixa em determinadas operações.
A área de supply chain também passará por mudanças importantes, a tributação passará a ser destinada ao local de consumo do bem ou serviço. Além disso, haverá extinção de alguns incentivos fiscais, podendo alterar a competitividade entre a.
O setor de tecnologia será um dos mais afetados. Novas regras devem ser padronizadas nos diferentes sistemas utilizados pelas empresas. O layout das notas fiscais será alterado e mais padronizado, com novos campos, requerimentos e códigos. O mesmo deve acontecer com as obrigações acessórias que os contribuintes são designados, como EFD-Contribuições e o EFD-ICMS/IPI.
Fonte
jornalcontabil.ig.com.br


