A Reforma Tributária já provoca mudanças na emissão de documentos fiscais em todo o país. Dados divulgados pela Receita Federal em outubro mostram que 86% dos documentos fiscais emitidos por empresas obrigadas já trazem o destaque da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Apesar do avanço, milhares de estabelecimentos ainda precisam ajustar suas operações para acompanhar as novas exigências.

Nos 30 dias analisados pelo órgão, as empresas emitiram 3,7 bilhões de documentos com o destaque da CBS e outros 600 milhões sem essa informação. O levantamento considera documentos emitidos até 7 de outubro de 2026.

O cenário exige atenção porque a adaptação não se resume a incluir um campo na nota fiscal. As empresas também precisam verificar a configuração dos sistemas emissores, a classificação tributária das operações e a consistência das informações fiscais.

Os dados mostram ainda que, entre 1.275.356 estabelecimentos obrigados que emitiram documentos no período, 489.326 destacaram a CBS em todas as notas, enquanto 365.826 fizeram isso apenas em parte das emissões. Somados, os grupos representam 67% dos estabelecimentos analisados.

CBS nas notas: o que os números revelam?

O levantamento da Receita Federal demonstra que a adequação avança em ritmos diferentes conforme o documento fiscal.

Entre os emissores analisados, o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) registra 87% de adesão. A Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação Eletrônica (NFCom) chega a 82%, enquanto a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), utilizada pelo comércio varejista, alcança 81%.

Já a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), comum nas operações de indústrias, atacadistas e distribuidores, apresenta 78% de adesão.

Os percentuais consideram estabelecimentos que já destacam a CBS em todas ou em parte das notas. Portanto, não significa que todos esses emissores estejam totalmente adaptados.

Outro detalhe importante: empresas optantes pelo Simples Nacional não entram nesse cálculo, pois não precisam destacar a CBS em 2026 nas condições consideradas pelo levantamento.

Leia também:

O que ainda falta ajustar nos sistemas fiscais?

A preparação para a Reforma Tributária exige uma revisão das rotinas de emissão e dos cadastros fiscais. Veja os principais pontos que contadores e empresários devem conferir.

1. Atualização do sistema emissor

O primeiro passo consiste em verificar se o software de emissão de documentos fiscais já contempla os leiautes e campos exigidos para cada tipo de operação.

Gostou do conteúdo? Anuncie conosco e traga mais clientes para o seu negócio.

Falar no WhatsApp

A empresa deve confirmar com seu fornecedor se as atualizações necessárias estão disponíveis e testar a emissão de documentos antes de aplicá-las à rotina diária.

2. Classificação tributária correta

A equipe fiscal precisa conferir os códigos utilizados nas operações, incluindo o Código de Situação Tributária (CST) e o Código de Classificação Tributária (cClassTrib), conforme as regras e os leiautes aplicáveis.

Uma classificação incorreta pode gerar informações incompatíveis com a operação realizada. Por isso, o contador deve avaliar a natureza de cada fornecimento e verificar o enquadramento adequado, sem depender apenas das configurações automáticas do sistema.

3. Validação das notas emitidas

Não basta emitir uma nota com os campos da CBS preenchidos. É necessário verificar se as informações correspondem à operação, se os valores seguem as regras aplicáveis e se os dados conversam corretamente com os demais registros fiscais.

A equipe deve testar diferentes cenários, como vendas de mercadorias, prestação de serviços, devoluções e outras operações realizadas pela empresa.

4. Integração entre faturamento e contabilidade

Os dados fiscais precisam chegar corretamente aos sistemas de gestão, aos controles financeiros e às rotinas contábeis. Divergências entre documentos emitidos, cadastros e registros internos podem comprometer a qualidade das informações.

A revisão deve envolver contabilidade, faturamento, tecnologia e, quando necessário, o fornecedor do software.

O que muda em 2027?

O ano de 2026 funciona como etapa de adaptação às novas regras, com obrigações e cronogramas específicos para cada documento fiscal. Em 2027, a CBS começará a ser cobrada integralmente, enquanto o IBS entrará no período de testes previsto para essa etapa da transição.

A substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, com previsão de vigência integral do novo modelo em 2033. 

As empresas precisam acompanhar os atos conjuntos da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, pois as exigências variam conforme o documento fiscal, a atividade econômica e o regime tributário.

Dessa forma, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS recomendam que os contribuintes planejem as adaptações de acordo com suas operações e acompanhem as atualizações oficiais.

O avanço no destaque da CBS é um sinal positivo, mas não encerra o trabalho de preparação. Para contadores e empresários, o próximo passo é garantir que os documentos fiscais não apenas exibam os novos campos, mas também apresentem informações corretas e compatíveis com as operações.


Fonte

jornalcontabil.com.br

Share