Não virou lei ainda. Mas já movimenta especialistas, órgãos de trânsito, autoescolas e entidades do setor como se estivesse prestes a mudar tudo. O projeto que reforma o Código de Trânsito Brasileiro mexe em 63 artigos da lei e concentra discussões que vinham sendo adiadas há anos.

A votação na Comissão Especial da Câmara foi adiada para 7 de julho, após pedido de vista de parlamentares. Se passar na comissão, o plenário da Câmara analisa no dia seguinte, 8 de julho. Depois, vai ao Senado.

Não é só para quem vai tirar CNH

Esse é o primeiro equívoco a desfazer. Quando o assunto é mudança nas regras de habilitação, muita gente acha que o tema só interessa a quem ainda não tem carteira. Não é o caso aqui.

O projeto toca em renovação da CNH, avaliação psicológica periódica, prontuário nacional de perícias médicas e psicológicas, fiscalização eletrônica e circulação de novos modais. Quem já dirige há décadas também pode ser afetado.

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A proposta reformula o processo de habilitação com algumas mudanças relevantes. A carga horária mínima de aulas práticas passa a ser definida diretamente no CTB.

Instrutores autônomos poderão atuar no processo. Exames práticos poderão ser realizados em Escolas de Trânsito credenciadas, não apenas nos Detrans.

Fica também no texto a possibilidade de jovens entre 16 e 18 anos dirigirem com supervisão, um dos pontos que mais gerou debate durante as audiências públicas.

Bicicleta elétrica, patinete e carro autônomo também entram

O trânsito brasileiro está mudando mais rápido do que a legislação consegue acompanhar. O projeto tenta fechar essa lacuna criando regras para bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual e veículos autônomos ou semiautônomos. São tecnologias que já circulam nas ruas do país sem um marco legal adequado.

Ao longo do relatório, o número de mortes nas vias brasileiras aparece como justificativa para diversas propostas. A leitura do texto deixa claro que algumas flexibilizações não serão aceitas sem contrapartidas em termos de segurança.

Avaliação psicológica periódica, critérios mais rigorosos para exames de habilitação e mecanismos nacionais de compartilhamento de informações fazem parte dessa preocupação.

Por que acompanhar antes de virar lei

É durante a tramitação que mudanças ainda podem ser feitas. Depois da aprovação, o espaço para alterações encolhe bastante.

O histórico recente mostra que mudanças no trânsito tendem a produzir impacto real no cotidiano dos brasileiros, seja no bolso, na habilitação ou na forma como as vias são fiscalizadas.

O projeto ainda não é lei. Mas o que está sendo discutido agora vai definir as regras do trânsito brasileiro pelos próximos anos.


Fonte

jornalcontabil.com.br

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