A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode mudar a forma como o Governo Federal volta a cobrar impostos que antes haviam sido cancelados pela Justiça. 

O Projeto de Lei 580/23 agora segue para o Senado, após a rejeição de um recurso que tentava levar a discussão novamente ao plenário.

O que muda na prática

A aprovação desta proposta altera substancialmente a dinâmica entre o Fisco e o contribuinte ao estabelecer que decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não possuem efeitos automáticos sobre casos já julgados de forma definitiva. 

Na prática, o projeto de lei impede que o governo retome a cobrança de tributos de maneira imediata e generalizada assim que uma lei é declarada constitucional. Em vez disso, a União passa a ter a obrigação de ajuizar uma ação rescisória individual para cada empresa que detém uma sentença favorável anterior.

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Essa mudança desloca o ônus da iniciativa jurídica para o Estado, transformando o que hoje é uma aplicação direta de entendimento da Suprema Corte em uma nova disputa processual. 

Dessa forma, o contribuinte ganha uma camada adicional de proteção, pois sua decisão judicial antiga permanece válida até que o novo processo específico movido pelo governo seja concluído, evitando surpresas financeiras decorrentes de mudanças retroativas no entendimento jurídico.

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Entenda o conflito

A proposta nasceu após uma decisão do STF sobre a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Em 2023, os ministros decidiram que empresas que não pagavam esse imposto há décadas (baseadas em decisões de 1992) deveriam quitar as dívidas acumuladas desde 2007.

O Supremo entendeu que manter o benefício para algumas empresas gerava uma vantagem injusta em relação aos concorrentes que pagaram o tributo em dia. Pela regra atual do STF:

  • As empresas devem pagar o valor acumulado do imposto desde 2007.
  • Não há aplicação de multas, pois as empresas estavam protegidas por decisões judiciais da época.
  • O governo não precisa de novos processos para cobrar o que é devido.

Próximos passos

O autor da proposta, deputado Gilson Marques, argumenta que o projeto protege a segurança jurídica de quem já venceu processos no passado. Já os críticos afirmam que a medida dificulta a arrecadação e cria brechas para que empresas fiquem sem pagar impostos que o Supremo já declarou como legais.

O texto agora depende da análise dos senadores para virar lei.


Fonte

jornalcontabil.ig.com.br

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